Provérbios 21, 4 Os olhos altivos, o coração orgulhoso e a lavoura dos ímpios é pecado.
O Peso da Altivez
(O personagem entra no palco sob uma luz baixa. Olha fixamente para as próprias mãos, vira o rosto para cima com altivez por um segundo, depois desaba o olhar, como se o peso do próprio corpo o esmagasse. Ri sem humor).
Olha para mim. Achas que sou grande? É isso que meus olhos dizem a todo mundo que passa. Eles olham de cima. Eu me recuso a abaixar o pescoço. Ensinei meu olhar a desprezar, a medir os outros como se fossem poeira e eu, o vento.
(Ele bate no próprio peito com força).
E aqui dentro? Um motor de ferro. Um coração que não pede, que não cede, que não perdoa. Bate forte, bate ecoando soberba. Eu acho que comando o meu destino. Eu olho para o meu império, para o que construí, para o meu suor... minha "lavoura".
(Ele olha para as mãos novamente, agora com repulsa).
Eu chamo isso de conquista. Eu chamo de vitória do meu esforço. Mas, quando o silêncio desaba... eu vejo a verdade. Essa terra que eu arado com tanta arrogância, esse fruto que colho com as mãos sujas de egoísmo... não tem vida. É estéril.
Tudo o que nasce desse orgulho não é vitória. É pecado. É pó.
(Ele ajoelha-se lentamente, a voz caindo num sussurro).
Até quando vou fingir que sou Deus no meu próprio pequeno mundo? Meus olhos estão cansados de olhar para cima. Meu coração está cansado de ser de pedra.
(Silêncio profundo. Ele abaixa a cabeça até quase tocar o chão).