A Parábola da Represa de Vidro
Em um vale cercado por montanhas verdejantes, havia uma cidade chamada Vale Verde, famosa por sua terra fértil e águas cristalinas. No topo da montanha mais alta, vivia um homem chamado Tobias. Tobias não gostava do trabalho duro da colheita; ele preferia o caminho mais rápido para a riqueza.
Certo ano, durante uma grande seca, Tobias teve uma ideia ambiciosa. Usando a força e a intimidação, ele expulsou os camponeses da nascente do rio principal e construiu ali uma enorme represa particular. Ele usou materiais frágeis, porém vistosos: placas de vidro espessas e ferro roubado das cercas dos vizinhos.
Com a água presa, Tobias passou a cobrar moedas de ouro por cada balde que a cidade necessitava. Os anciãos da cidade subiram a montanha e clamaram:
— Tobias, o que você está fazendo é uma rapina! Essa água pertence a todos. O muro que você construiu é instável. Faça justiça, libere o fluxo natural e nós lhe pagaremos um preço justo pelo seu trabalho de manejo.
— Tobias, o que você está fazendo é uma rapina! Essa água pertence a todos. O muro que você construiu é instável. Faça justiça, libere o fluxo natural e nós lhe pagaremos um preço justo pelo seu trabalho de manejo.
Tobias, olhando para suas arcas cheias de ouro, riu e disse:
— A força está do meu lado. A água é minha e o lucro também. Não me importo com a justiça, importo-me com o meu palácio.
— A força está do meu lado. A água é minha e o lucro também. Não me importo com a justiça, importo-me com o meu palácio.
Os meses se passaram. Recusando-se a praticar a justiça, Tobias continuou a reter a água, ignorando os apelos dos sedentos. Por causa disso, a represa começou a acumular mais água do que o suportável. O peso do rio represado exercia uma pressão colossal sobre a estrutura.
Os vizinhos avisaram novamente:
— Tobias, a estrutura está rachando. Abra as comportas, divida a água com o vale antes que seja tarde!
— Tobias, a estrutura está rachando. Abra as comportas, divida a água com o vale antes que seja tarde!
Mas a ganância cegou Tobias. Ele pensou que, se abrisse as comportas, perderia seu poder e sua riqueza acumulada. Ele se recusou categoricamente a fazer o que era correto.
Em uma noite de tempestade, o volume da água atingiu o limite. As rachaduras no vidro se espalharam como teias de aranha. O próprio fruto da sua rapina — a imensa massa de água acumulada injustamente — transformou-se em uma força destruidora.
A represa estourou. A enorme onda de choque não desceu imediatamente para o vale; ela implodiu primeiro sobre a própria casa de Tobias, que ficava logo abaixo da base do muro. A força da água que ele roubou destruiu seu palácio, levou suas arcas de ouro e o arrastou para o abismo. O vale, por estar mais distante, sofreu com a inundação, mas sobreviveu e se reconstruiu. Tobias, porém, foi consumido pela sua própria obra.