O Editor

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Ele desceu lá na mansão dos mortos

 

De acordo com a tradição teológica cristã, Jesus desceu à mansão dos mortos (também chamada de "Inferno" no Credo, ou Sheol/Hades) para libertar as almas dos justos que morreram antes de sua vinda. Ele não foi ao lugar dos condenados, mas sim ao limbo dos patriarcas para anunciar a vitória da cruz e abrir as portas do céu para figuras como Adão, Eva, Abraão e Moisés, que aguardavam a redenção.
Sobre o relato específico de ressuscitar dois mortos recém-sepultados logo após a sua descida aos inferos, essa narrativa detalhada não faz parte dos quatro Evangelhos canônicos da Bíblia (Mateus, Marcos, Lucas e João). Ela tem origem nos Evangelhos Apócrifos, mais especificamente no Evangelho de Nicodemos (também conhecido como Atos de Pilatos), um texto do cristianismo primitivo que reconta a Paixão e a Ressurreição com elementos mais dramáticos. 
Abaixo, o texto reconta essa antiga narrativa de forma contínua:

A descida de Jesus à mansão dos mortos representa o ápice de sua vitória sobre a mortalidade humana. Enquanto seu corpo repousava no sepulcro selado, sua alma divina invadiu as profundezas do Hades, quebrando os grilhões eternos e iluminando as trevas com a luz da ressurreição. A teologia antiga ensina que essa incursão resgatou as almas dos santos do Antigo Testamento, transformando o reino da morte em um território definitivamente derrotado. 
Para dar testemunho público desse mistério invisível aos olhos humanos, a tradição apócrifa preservou o relato de dois irmãos, Leúcio e Carino, filhos do sumo sacerdote Simeão. Ambos haviam falecido recentemente e seus sepultamentos eram de notório conhecimento em toda a Jerusalém. Logo após Jesus clamar a vitória nas profundezas, esses dois homens levantaram-se de suas tumbas frescas, com os corpos restaurados, e voltaram a caminhar entre os vivos.
A ressurreição pública de Leúcio e Carino serviu como uma prova material e jurídica do que ocorrerá no fim dos tempos. Chamados diante das autoridades do templo para explicar o prodígio, eles receberam papiro e tinta, isolados um do outro, para registrar o que testemunharam no submundo. Seus relatos idênticos confirmaram que Jesus de Nazaré havia de fato subjugado o poder da morte, deixando um sinal incontestável na terra de que o império do sepulcro fora quebrado para sempre.

A descida de Jesus à mansão dos mortos (ou Sheol/Hades) e a ressurreição de pessoas marcam a vitória definitiva sobre o pecado. Ele foi até a morte para libertar os justos que aguardavam a salvação, demonstrando Sua autoridade absoluta sobre a vida e a morte
Por que Jesus desceu à mansão dos mortos?
A fé cristã professa que, após a crucificação e antes da ressurreição, a alma de Jesus desceu ao lugar onde estavam os mortos. O propósito principal não foi punição, mas libertação e salvação.
Antes do sacrifício de Cristo, o céu estava fechado devido ao pecado, e até mesmo os justos do Antigo Testamento (como reis, profetas e patriarcas) aguardavam a redenção. Jesus desceu para anunciar a Boa Nova, quebrar as correntes da morte e levá-los para a glória do Paraíso. Ele abriu os portões celestiais que estavam trancados. 
Sobre as ressurreições na Bíblia
A menção de pessoas mortas que voltaram à vida após o sepultamento está ligada à extensão do poder de Jesus:
  • Lázaro (João 11): Lázaro adoeceu, morreu e foi sepultado. Quando Jesus chegou, ele já estava sepultado há quatro dias. Jesus realizou esse milagre para demonstrar que Ele é "a ressurreição e a vida", antecipando Sua própria vitória sobre a morte. 
  • A Ressurreição dos Santos (Mateus 27): O Evangelho relata que, no exato momento da morte de Jesus na cruz, houve um terremoto e os túmulos se abriram. Muitas pessoas santas que já haviam falecido ressuscitaram e, após a ressurreição de Cristo, apareceram a muitos na cidade de Jerusalém.