Provérbios 21, 7 As rapinas dos ímpios os destruirão, porquanto se recusam a fazer justiça.
A Parábola do Construtor de Muros
Havia na região de um vale fértil um homem chamado Ranolfo. Ele era rico, hábil, mas possuía um coração duro. Ranolfo construiu suas terras desviando o curso de um riacho que irrigava as plantações vizinhas, deixando os pequenos agricultores ao léu. Quando estes vinham suplicar por água, ele os expulsava com ameaças e guardas armados. As riquezas que Ranolfo ajuntava por meio da opressão — as suas rapinas — aumentavam a cada safra, e ele ria da simplicidade dos que clamavam por justiça.
Para proteger sua mansão e seu celeiro abarrotado de bens tomados à força, Ranolfo contratou pedreiros para erguerem um muro alto, feito de pedras pesadas e grossas, sem argamassa fina, apenas encaixadas umas sobre as outras de qualquer maneira para que ficasse pronto mais rápido.
Os vizinhos, feridos e espoliados, pediram a Ranolfo que reparasse ao menos o leito do rio, mas ele recusou-se a fazer qualquer ato de justiça.
Numa noite de tempestade severa, o vento soprou com fúria contra o vale. A água da chuva, sem ter para onde escorrer de forma natural por causa dos desvios que Ranolfo fizera no passado, acumulou-se com violência em um grande pântano artificial bem acima de sua propriedade. As pedras mal encaixadas do muro alto — sustentado apenas pela soberba e pela ganância — não suportaram a pressão da enxurrada.
O muro ruiu estrondosamente sobre o próprio celeiro de Ranolfo, soterrando os grãos que ele havia roubado e destruindo as riquezas que ele tanto guardara. Naquela noite, a mesma violência que ele usara para subjugar os outros desabou sobre a sua própria casa, provando que a recusa em praticar a justiça sela a ruína do próprio opressor. https://www.youtube.com/watch?v=pcQOkW_ZqMc