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terça-feira, 20 de outubro de 2026

A Parábola do Construtor de Muros

Provérbios 21, 7 As rapinas dos ímpios os destruirão, porquanto se recusam a fazer justiça.

 

A Parábola do Construtor de Muros
Havia na região de um vale fértil um homem chamado Ranolfo. Ele era rico, hábil, mas possuía um coração duro. Ranolfo construiu suas terras desviando o curso de um riacho que irrigava as plantações vizinhas, deixando os pequenos agricultores ao léu. Quando estes vinham suplicar por água, ele os expulsava com ameaças e guardas armados. As riquezas que Ranolfo ajuntava por meio da opressão — as suas rapinas — aumentavam a cada safra, e ele ria da simplicidade dos que clamavam por justiça.
Para proteger sua mansão e seu celeiro abarrotado de bens tomados à força, Ranolfo contratou pedreiros para erguerem um muro alto, feito de pedras pesadas e grossas, sem argamassa fina, apenas encaixadas umas sobre as outras de qualquer maneira para que ficasse pronto mais rápido.
Os vizinhos, feridos e espoliados, pediram a Ranolfo que reparasse ao menos o leito do rio, mas ele recusou-se a fazer qualquer ato de justiça. 
Numa noite de tempestade severa, o vento soprou com fúria contra o vale. A água da chuva, sem ter para onde escorrer de forma natural por causa dos desvios que Ranolfo fizera no passado, acumulou-se com violência em um grande pântano artificial bem acima de sua propriedade. As pedras mal encaixadas do muro alto — sustentado apenas pela soberba e pela ganância — não suportaram a pressão da enxurrada.
O muro ruiu estrondosamente sobre o próprio celeiro de Ranolfo, soterrando os grãos que ele havia roubado e destruindo as riquezas que ele tanto guardara. Naquela noite, a mesma violência que ele usara para subjugar os outros desabou sobre a sua própria casa, provando que a recusa em praticar a justiça sela a ruína do próprio opressor. https://www.youtube.com/watch?v=pcQOkW_ZqMc

 

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Fábulas e estórias - Burro


Um dia o patrão do meu avô disse:
-Querro que o senhorr vá capiná a vhagem.
Era um japonês sem educação, estrangeiro imigrante igualmente o pai do meu avô.
Mais tarde, o japonês viu o meu avô e já lhe empurrou, dizendo:
-O Senhorr não capino a vaghem?
Segurando pela camisa.
-Sim, capinei. Estou todo sujo, não vê? Tava mais pá brejo do que pá vage!




quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fábulas e estórias - Caçula


 



Meu tio mais novo, do lado da minha mãe odiava quando alguém lhe chamava de caçula.
Uma vez, a prima Beatriz, pergunta:
- Esse é o caçulinha da tia?
A minha avó disse:
- É.
Meu tio beliscava e puxava o vestido da minha avó com braveza.
A prima dizia:
-Ah tia, acho que ele quer sorvete.
Minha avó comprou o sorvete, e a prima foi se embora. Meu tio disse, não quero sorvete.
Minha avó desajeitada e com raiva dele, perguntava:
- que foi então?
- é que ela me chamou de caçula. Eu não sou caçula!
- ah então é por isso?
Nem precisava da resposta, minha avó estava dando os corretivos ao meu tio caçula, opa, ele ainda não gosta.

domingo, 9 de maio de 2010

Fábulas e estórias - Liberato


Liberato e Dario Junqueira
  


  


Dario era o Senhor de todas as terras da banda oeste de Itapira. Tinha uma Fazenda, que criava animais, tinha agricultura, habitação e trabalho. Umas das atividades da Fazenda, era a prevenção a favor dos rebanhos, como a terra era virgem, havia muitas cobras, nas quais eram separadas e remetidas ao Instituto Butantan, na cidade de São Paulo.
Liberato era um caseiro que morava na Fazenda de Liberato. Ele cuidava de tudo. Da limpeza, da horta e dos animais. Um dia ele se deparou com uma cascavel, ainda jovem. Pegou uma caixa e colocou adentro, para despachar ao próximo embarque da Maria Fumaça, com destino a capital, em especial ao Instituto Butantã e deixou no paiol, para que depois viesse ali buscar, colocar etiquetas e despachar. Liberato gostava de tomar umas pingas e fez uma bagunça danada. Seu Dario ficou zangado e mandou ele embora. Liberato foi pra cidade e ficou trabalhando na lavoura de cana de açúcar. Depois de muito tempo, estando trabalhando, na qual Dario o viu e fizeram as pazes. Liberato voltou a trabalhar na Fazenda de seu Dario.
Voltou a cuidar das coisas e foi lá ao paiol e viu aquela caixa e pegou. Sentiu o peso e chacoalhou. Pasmo pensou: "Será, depois de cinco anos".
Ele abriu a caixa e viu que a cobra não havia morrido. Era do formato da caixa e infelizmente, como na época não havia meios de registrar, a não ser desenhando e contando para as gerações seguintes.

Fato ocorrido em meados de 1950 a 1955, na cidade de Itapira, estado de São Paulo.






terça-feira, 9 de março de 2010

Fábulas e estórias - Navorta

Dona Laza, como todo mundo chamava, era o nome da minha avó.
Ou dona Lazinha, enfim, Lázara Scáglia Porcelo era assim chamada carinhosamente.
Um dia ela veio com aquelas estórias.
Esse dia foi a estória do navorta.
Era um belo dia, estava passando um compadre, e disse:
- Bom dia comadi.
- Bom dia compadi.
- O compadi tai?
- Tá não.
Enquanto isso, o cachorro era espuleta. Ia e corria por todo lado. Percebendo o estranho, e fazia chamego e charminho. E minha avó disse:
- passa navorta!
O compadre sem saber do nome do cachorro, disse:
- Navorta eu passo Comadi.
-Inté.
Minha avó ria do navorta como se nós acreditássemos da piada que ela tentava nos empregar.
Dizem que tinha mesmo um cachorro de cunho navorta.