O coronel Ramos, um antigo oficial militar, observava a movimentação do mercado do bairro com um sentimento de profunda tristeza. Formado também em criminologia, ele costumava analisar a sociedade não apenas pelos crimes urbanos, mais óbvios, mas também pelas dinâmicas invisíveis que sufocavam o cidadão comum. Diante da prateleira de alimentos, ele percebeu uma nítida reduflação: as embalagens estavam visivelmente menores, embora os preços continuassem abusivos.
Para ele, a inflação galopante e a consequente desvalorização da moeda nacional, o real, eram os verdadeiros vilões que assaltavam o bolso do trabalhador sem deixar rastros de sangue. Ramos lembrava-se de quando a economia parecia mais estável, mas agora, a cotação do dólar ditava o ritmo da miséria e encarecia desde os combustíveis até o prato de comida.
Ao decidir levar um pedaço de carne de porco para o almoço, assustou-se com o valor total na etiqueta. Sem dinheiro físico nos bolsos, ele puxou o celular e efetuou o pagamento instantaneamente via PIX. Enquanto caminhava de volta para casa, o velho militar refletia sobre o contraste da modernidade tecnológica, que facilitava as transações em segundos, mas não conseguia frear a decadência do poder de compra da população.
O detetive aposentado caminhava pelo centro velho da cidade, observando como o tempo havia transformado o mercado municipal. Ele olhava para os preços nas lousas com uma profunda tristeza, testemunhando a constante desvalorização do Real frente ao dólar. Para ele, a economia atual parecia um caso complexo de criminologia, onde o bolso do cidadão era a principal vítima de um crime invisível.
Parando em uma tradicional mercearia de estilo antigo, ele pediu um corte de porco para o jantar. Ao receber o pacote, percebeu a aplicação prática da reduflação: o preço continuava alto, mas a quantidade de carne na embalagem estava visivelmente menor. A inflação corroía o poder de compra de forma implacável, e nem mesmo a modernidade e a velocidade do PIX conseguiam mitigar o impacto da carestia no dia a dia.
Com a disciplina e a rigidez que carregava de seu passado militar, ele pagou a conta pelo celular, guardou o pequeno embrulho na sacola e seguiu seu caminho, pensando em como o custo de vida havia se tornado o maior desafio de sobrevivência urbana.