O Editor

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sábado, 24 de maio de 2014

Causos

Liberato e Dario Junqueira


Liberato era um caseiro que morava na fazenda de Liberato. Ele cuidado de tudo. Da limpeza, da horta e dos animais. Um dia ele se deparou com uma cascavel, ainda era novinha. Pegou uma caixa e colocou adentro. Liberato gostava de tomar umas pingas e fez uma bagunça danada. Seu Dario ficou zangado e mandou ele embora. Liberato foi pra cidade, e ficou trabalhando na lavoura de cana de açúcar. 
Depois de muito tempo, estava trabalhando e Dario viu. Fizeram as pazes, e Liberato voltou a trabalhar na fazenda de seu Dario.
Voltou a cuidar das coisas e foi lá paiol e viu aquela caixa, e pegou. Sentiu o peso e chacoalhou pasmo pensou: “Será?!? depois de cinco anos?”.
Ele abriu a caixa e viu que a cobra não havia morrido.
Fonte:  Histórias Faladas

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Insaciável


"O brasileiro, logo que enriquece um pouco, dá-se por satisfeito, julga-se muito rico, descansa, diverte-se. Aparece-lhe o espírito latino, que o domina e o limita. O americano prossegue sempre no caminho da riqueza. Nada lhe basta. Aspira a um poder fabuloso da riqueza. Tem o culto do ilimitado."
Graça Aranha




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A fábula da convivência

Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil. Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro.
E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito... Mas, essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos recíprocos. Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram. O melhor relacionamento não é aquele que reúne pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aceita os defeitos do outro e consegue perdão pelos próprios defeitos. O respeito é fundamental.


Anônimo ou Autor desconhecido

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fábulas

Lá na casa da minha avó, todo mundo tinha apelidos. A maioria deles era em função de alguma coisa semelhante, que fazia meu avô encabeçar a lista dos apelidadores. Meu tio atiçava a gana da molecada com os apelidos, e retribuía ao líder da nomeação vulgar, com a mesma receita, um apelido a ele também.
Em uma ocasião, onde foi a célebre de uma estória, na casa de uma comadre de minha avó.
Era uma casa, que havia um casal, Sebastião e Nhana, e o filho Joaquim. Era uma família privilegiada, não tinha muita gente, e toda despensa era a benefício de Joaquim e seus pais.
Uma vez, quando fora cidade, comprara pela primeira vez um queijo amarelo, muito diferente dos queijos frescos. Diante da novidade, Joaquim, não se contentara somente com um pedaço, quase comeu toda peça de mais ou menos dois quilos. Somente sobrara 1/12 da peça. Isso foi no sábado. No dia seguinte, a comadre recebeu nossa avó, comadre, que era uma família grande, ela e mais seis filhos.
Como Joaquim era exibido, filho mimado, não demorou muito para dar acessos de publicidade. Então, começou a pedir a mãe, aquilo que estava guardado. Todo mundo ficara curiosos de saber o que era, afinal, o que era aquilo que estava guardado?
Nhana, comadre de minha avó, repreendia Joaquim para ficar quieto, isso eram mais ou menos, umas duas horas da tarde, já que minha avó vinha de um lugar que dava mais ou menos uma hora de caminho.
Joaquim ficou furioso pelo fato da mãe ignorá-lo. E insistentemente, diante de todos começara a pedir aquilo. Nhana respondia aquilo o quê? E recomeçava o papo com a comadre, e Joaquim ficava cada vez mais bravo, e toda a hora, insistentemente pedia aquilo.
Lá pelas três horas, comadre fez pipoca, bolinhos de chuva, com moqueca de abóbora e chuchu, leite e manteiga. Joaquim, inconformado com a situação, não queria comer nada, e disse em bom tom (Gritou).
- EU NÃO QUERO NADA, EU QUERO QUEEEEEIJO!!!
Todo mundo assustados, com o gesto de Joaquim, Nhana desapontada com o mau gesto do filho, tomou a seguinte atitude. Mas antes pensou.
Se eu der o queijo para o Joaquim, todo mundo vai ficar com lombriga, pelo fato do queijo ser amarelo, queijo da cidade. E mais, se eu fizer isso, Joaquim jamais será o mesmo, sempre será esse menino mimado e chorão.
Então, comadre foi até ao armário, e Joaquim sorrindo, olhando para todo mundo de satisfação de ver seu pedido sendo realizado. Como era só um pedaço, que era mais ou menos umas duzentos gramas, dividiu em sete pedaços, mais ou menos, umas vinte e oito gramas para cada um, e deixou Joaquim sem nada.
E Joaquim se pos a chorar e a espernear. Alguns foram solidários com Joaquim em oferecer a sua parte para ele, mas Dona Nhana, deu ordens a todos, que Joaquim deveria saber quem mandava naquela casa, e que ele era apenas um hóspede ilustre que estava em sua casa.
Todo mundo comeu o queijo da cidade, com pena de Joquim, e isso era exemplo na casa da minha avó, mas apenas era um exemplo.
Como estávamos dizendo, existia uma prima, neta da minha avó, que tinha as características de Joaquim, lá da comadre. Éramos só a gente chegar, ela já contava tudo o que tinha na geladeira, e minha avó ficava brava com as atitudes de Joaquim, para nós era festa, pois a metade dos presentes já havia comido aquilo que estava guardado e a outra metade ficava curiosa para saber o que era.
Como era a casa da minha avó, todo mundo saboreava aquilo que estava guardado, alarmado por Joaquim. “Joaquim”, alcunha de minha prima, foi chamado por muito tempo por esse vulgo.
Estórias e Fábulas. Jesuel